domingo, 27 de junho de 2010

As itaquatiaras


Esta forma de manifestação é comum na região Nordeste. Possui também técnicas laboriosas na produção de outro tipo de grafismos e neste caso, trata-se de uma produção esculpida em suportes rochosos duríssimos (como o granito – rocha metamórfica), o que requer muito empenho e trabalho na obtenção das gravuras. Geralmente, são encontrados nas proximidades de riachos, cachoeiras, arroios e qualquer lugar que tenha sido curso d’água e hoje comumente extinto. 

Se utilizássemos os mesmos critérios de classificação das pinturas podíamos afirmar que esta arte é bastante complexa dentre todas devido à maioria de suas representações serem enquadradas àquilo que é mais difícil de classificar: os grafismos puros. No entanto, pode apresentar também raras figuras antropomorfas e zoomorfas, mais as figuras indefinidas são bastante dominantes nesses painéis.

Existe a suposição de que a maioria dos sítios com Itaquatiaras envolvem de algum modo um culto as águas, contudo não podemos provar tal teoria. Esta ideia se norteia a partir do princípio de que nas regiões de clima semi-árido os locais que, de alguma maneira, forneçam água aos habitantes sedentos são levados a considerar como sendo locais sagrados. Sobre as explicações dessa arte vamos transcrever o que falaram a professora Gabriela Martin da UFPE:

Nos cursos de muitos rios, arroios e torrentes do Brasil existem disseminados de norte a sul, desde o Amazonas ao Rio Grande do Sul, gravuras indígenas realizadas nas rochas das margens e nos leitos dos cursos d’água. São conhecidas pelo nome de itaquatiaras (pedras pintadas, em língua tupi) e que são, de todas as manifestações rupestres pré-históricas do Brasil, aquelas que mais se têm prestado a interpretações fantásticas. Estes petróglifos são de feitura, tamanho e técnica de gravura muito diferentes, dependendo da ampla geografia brasileira. [...] Nessa tradição, típica da região nordestina, predominam grafismos puros, porém deve se registrar a presença de antropomorfos, alguns muito elaborados, inclusive com atributos, como os encontrados na beira do São Francisco, em Petrolândia, PE. Há marcas de pés, lagartos e pássaros em grandes paredões, sempre próximos d’água, e também desenhos muito complexos, que, na imensa solidão dos sertões. Indubitavelmente as itaquatiaras formam a tradição ou as tradições mais enigmáticas de toda arte rupestre do Brasil. Por estarem quase sempre nos cursos d’água e, muitas vezes, em contato com ela, resulta difícil relacioná-las com algum grupo humano, sobretudo pela impossibilidade, na maioria dos casos, de estabelecerem-se associações com restos de cultura material. Entretanto, existem algumas exceções quando as itaquatiaras identificam-se com culturas de caçadores, em abrigos próximos a rios ou em caldeirões. Estes depósitos naturais que se enchem d’água na estação das chuvas, têm, às vezes, as paredes cobertas de petroglifos e tem sido possível realizar-se escavações nas proximidades com bons resultados. É também muito difícil fixar cronologias para esta variedade de arte rupestre. (MARTIN, 2005)

Painel do Sítio Pedra Lavrada de Ingá, PB.

Sem dúvidas, as itaquatiaras do Nordeste do Brasil são os registros rupestres mais enigmáticos e de difícil estudo arqueológico, devido à falta de sedimentos nos locais onde foram gravados os registros, isso estabelece barreiras na prática de prospecção arqueológica de um modo geral.

Provavelmente as itaquatiaras são mais recentes que as pinturas da Tradição Agreste, por serem pouco numerosas em número de figuras, isso levou a acreditar-se que não ultrapassem dois milênios Antes do Presente.

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