sexta-feira, 25 de junho de 2010

A tradição Agreste


Supõe-se que os primeiros grafismos denominados de Tradição Agreste surgiram na região Agreste do Estado de Pernambuco e também da Paraíba. São registros rupestres mais toscos, rudes, e em dimensões maiores que a Tradição Nordeste. Na maioria das vezes representam seres estáticos, sem movimento, ou sugerindo pouco movimento.


Composta pela representação de figuras humanas e alguns animais, conta com um número significativo de “grafismos puros” – isto é, aqueles desprovidos de traços que permitem identificá-los com uma representação de nosso universo sensível. Caracteriza-se pelo impacto visual do intenso preenchimento das figuras com corantes vermelhos sendo raras as cenas; as figuras são representadas de forma estática. É originária da região agreste de Pernambuco, sendo suas manifestações mais antigas datadas de 11 mil anos AP. [...] são figuras humanas maiores do que as representadas na tradição Nordeste, não tão bem delineadas e totalmente preenchidas por tinta vermelha escura. (GASPAR, 2003)


Nesta classificação, os antropomorfos apresentam-se de forma isolada, de difícil compreensão, chamados de “grafismos puros”, não tão bem elaborados como na outra tradição. Existem também muitas representações de sáurios (lagartos e répteis) que são animais muito comuns no ambiente semi-árido coberto pela caatinga.
 
[...] a tradição Agreste, caracterizada pela presença de figuras humanas de forma muito típica, raras figuras de animais e um número importante de grafismos puros. São também muito raras as composições representando ações, e as figuras sempre são representadas estáticas. Em alguns casos pode-se ter a impressão de se ver uma representação de uma caçada, mas o único indício visível é a proximidade pictural entre uma figura humana e um animal, não aparecendo gestos ou armas que permitam uma afirmação segura do tipo de ação desenvolvida. [...] a maior concentração de sítios acha-se na região do Agreste do Estado de Pernambuco. Sua existência tem sido até agora datada em 9.000 a. C., tendo uma dispersão muito grande em todo o Nordeste do país. As pesquisas arqueológicas fornecem informações que levaria a pensar que as etnias responsáveis por essa classe de figuras coexistiram com as etnias da Nordeste, sem marcar sua passagem no plano da cultura material. Teriam unicamente deixado os traços de sua identidade nas representações rupestres. (PESSIS; GUIDON, 1992)


Bonecões típicos da Tradição Agreste. Sítio Toca da Entrada do Baixão da Vaca. PI.

Porém, tem-se observado em diversos sítios arqueológicos do Agreste pernambucano que os “autores” de alguns painéis “descartaram” a representação de antropomorfos e zoomorfos, preferindo representar o que Anne-Marie Pessis denomina como grafismos puros que são na verdade círculos, quadrados, retângulos, espirais, linhas sinuosas, em ziguezague, tridáctilos, e outros elementos denominados pela nossa cultura como desenhos geométricos. Jamais saberemos o que possivelmente poderiam representar tais grafismos, visto que nosso mundo sensível e simbólico é muito distinto e recuado no tempo e espaço daquele no qual viveram aquelas etnias pré-históricas.

Outros arqueólogos defendem que as possíveis representações de grafismos puros podem ter sido obtidas através da ingestão de plantas alucinógenas, que são práticas comuns em rituais e cerimônias dos índios contemporâneos. O que mais impressiona é que as representações de grafismos puros são encontradas em sítios arqueológicos de todo o planeta. Obviamente não podemos aceitar a hipótese de que havia um universo simbólico comum a todos os povos pré-históricos dispersos geograficamente, visto que uma representação de um círculo não pode ter o mesmo sentido para várias etnias, vivendo tempos e realidades diferentes.



Na sua versão mais característica, as figuras da Tradição Agreste aparecem isoladas ou formando pequenos conjuntos dominados por uma ou duas grandes figuras antropomorfas (ditas “bonecões”), eventualmente rodeadas por poucos grafismos zoomorfos ou pinturas carimbadas na parede – inclusive impressões de mãos – e conjuntos de pontos. Homens e animais são geralmente desenhados toscamente, mas apresentam detalhes característicos, como a cabeça radiada e pés representados de maneira bastante naturalista (figuras humanas), sendo as articulações do cotovelo e do joelho marcadas por círculos. (PROUS, 2007)


Em toda região Agreste são encontradas muitas pinturas rupestres com maior domínio da Tradição Agreste, provavelmente esta área geográfica apresenta mais sítios por serem descobertos, visto que a região é cortada pelo Planalto da Borborema cortado por bacias hidrográficas importantes e longas, tendo em suas divisas de águas tendentes, vários complexos de serras que se caracteriza por muitos afloramentos rochosos, se prestando, em muitos pontos para acampamentos aos povos pré-históricos. Em quase todas as cidades situadas nessa área definida geograficamente temos sítios arqueológicos com pinturas rupestres: Agrestina, Altinho, Belo Jardim, Bezerros, Bom Jardim, Bonito, Brejo da Madre de Deus, Caruaru, Cupira, Gravatá, Ibirajuba, Jataúba, Jurema, Panelas, Santa Cruz do Capibaribe, São Caetano, Tacaimbó, Taquaritinga do Norte, Toritama, Vertentes, etc. Contudo, as pesquisas nestes locais são preliminares e exigem mais estudos sistemáticos para se compreender melhor o enclave arqueológico desta região.

Em toda região Agreste são encontradas muitas pinturas rupestres com maior domínio da Tradição Agreste, provavelmente esta área geográfica apresenta mais sítios por serem descobertos, visto que a região é cortada pelo Planalto da Borborema cortado por bacias hidrográficas importantes e longas, tendo em suas divisas de águas tendentes, vários complexos de serras que se caracteriza por muitos afloramentos rochosos, se prestando, em muitos pontos para acampamentos aos povos pré-históricos. Em quase todas as cidades situadas nessa área definida geograficamente temos sítios arqueológicos com pinturas rupestres: Agrestina, Altinho, Belo Jardim, Bezerros, Bom Jardim, Bonito, Brejo da Madre de Deus, Caruaru, Cupira, Gravatá, Ibirajuba, Jataúba, Jurema, Panelas, Santa Cruz do Capibaribe, São Caetano, Tacaimbó, Taquaritinga do Norte, Toritama, Vertentes, etc. Contudo, as pesquisas nestes locais são preliminares e exigem mais estudos sistemáticos para se compreender melhor o enclave arqueológico desta região.

3 comentários:

  1. Bom dia Professor Francisco José, gostaria de saber quais os livros, revistas ou artigos o senhor extraiu as citações desta postagem, bem como da que traz como temática "A tradição Nordeste", pois estou fazendo um trabalho e gostaria de citá-las, mas para isso preciso saber de qual bibliografia foi retirada. Grato pela atenção.

    Simão Pedro.

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  2. Olá Simão Pedro, perdoe a resposta tardia.
    Usei como referências:
    01 - Pré-história do nordeste do Brasil (Gabriela Martin)
    02 - Arte rupestre do Brasil (Madu Gaspar)
    03 - Arqueologia brasileira (André Prous)
    04 - Arte pré-histórica do Brasil (André Prous)
    05 - Brasil Rupestre (André Prous)
    06 - O Brasil antes dos brasileiros (André Prous)
    07 - Imagens da pré-história (Anne Marie-Pessis)

    Espero ter ajudado.

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  3. Olá Simão Pedro, perdoe a resposta tardia.
    Usei como referências:
    01 - Pré-história do nordeste do Brasil (Gabriela Martin)
    02 - Arte rupestre do Brasil (Madu Gaspar)
    03 - Arqueologia brasileira (André Prous)
    04 - Arte pré-histórica do Brasil (André Prous)
    05 - Brasil Rupestre (André Prous)
    06 - O Brasil antes dos brasileiros (André Prous)
    07 - Imagens da pré-história (Anne Marie-Pessis)

    Espero ter ajudado.

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